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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A INVEJA LÁ E VOCÊ AQUI

Participação de Alexandre Caprio em matéria publicada pelo Jornal Diário da Região, São José do Rio Preto/SP, jornalista Francine Moreno, edição de 20/01/2013.
Fonte:http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Divirtase/Comportamento/125716,,A+inveja+la+e+voce+aqui.aspx
Comportamento
› Autoconfiança
São José do Rio Preto, 13 de Fevereiro, 2013 - 13:40
A inveja lá e você aqui

Francine Moreno

www.sxc.hu/Divulgação
“Quanto mais autoconfiante, menos a pessoa vai se importar com o invejoso”, diz psicóloga
Você acaba de comprar um carro zero quilômetro, tira uma fotografia do possante e publica em sua conta pessoal no Facebook. Na primeira ida ao supermercado, você estaciona em uma vaga concorrida e, quando volta, tem risco na porta do passageiro. Na hora, você pensa que só pode ser inveja ou olho gordo. A raiva toma conta de você e sua atitude desencadeia vários outros problemas. Neste cenário, é preciso avaliar se a culpa é realmente sua ou do outro. Independente do que aconteceu, segundo a psicologia, você precisa se responsabilizar pelos seus atos e sentimentos e investigar porque incidentes negativos acontecem em sua vida. A inveja não age - o que prejudica é a atitude que você toma. Quem se sente perseguido pela inveja alheia e culpa o outro pelos problemas geralmente é uma pessoa insegura, que costuma seguir na direção contrária às suas metas e se distrai com sentimentos inúteis.

Autoconfiança é o melhor instrumento para lidar com a inveja. “Quanto mais autoconfiante, menos a pessoa vai se importar com os ataques do invejoso. A autoconfiança vai passar por cima dos ataques, o que não significa que não possa causar desconforto”, afirma Kátia Ricardi de Abreu, psicóloga clínica e organizacional. A especialista recomenda aos “invejados” que compreendam esta dificuldade em vez de julgar. “O funcionamento da psique e sua compreensão está ao alcance de qualquer pessoa. Buscar informações sempre é bom para podermos conviver com todas as formas de inadequação e dificuldades emocionais que se manifestam no comportamento humano.”

Para Kátia, é preciso estar ciente de que é complicado se blindar da inveja alheia. “Não temos controle sobre os sentimentos de inveja do outro. Os ataques vão acontecer. Afastar-se do invejoso é uma forma de se blindar. Outra forma é não se importar com os ataques, vê-los como uma dificuldade da pessoa e não se colocar no alvo.”

O psicólogo cognitivo-comportamental Alexandre Caprio afirma que autoconfiança também dissolve o sentimento dos invejosos. “Se nos sentimos aptos a conquistar tudo o que precisamos ou queremos, não precisamos mais destruir a imagem alheia ou desejar o que o outro tem. Quando acreditamos em nós mesmos, e sentimos que temos o poder de fazer de nossas vidas o que quisermos que ela seja, não há inveja. Sobra apenas o respeito em relação ao que o outro conquistou. Esse sentimento, muito mais nobre e com grande poder de nos elevar a patamares cada vez maiores, é a outra face da inveja. Chama-se admiração.”

Terapias como a cognitivo-comportamental promovem com eficiência autoestima, habilidades e aptidões no paciente, “tornando-o livre para conquistar seus sonhos e metas ao invés de perder todo seu tempo e energia em ataques pessoais. Mas, para isso, o primeiro passo deve ser dado”. Segundo Caprio, cabe ao invejoso perceber que sua vida se reduziu a um conjunto de justificativas em relação a si mesmo e aos outros, e que o tempo de ser feliz está se esgotando. “Feliz daquele que tem esse lampejo de consciência e aceita ajuda, porque terá a oportunidade de deixar de ser a principal vítima de seus pensamentos, emoções e palavras ferinas”.

Semelhante a um ‘jogo’

O psicólogo Alexandre Caprio afirma que a autoestima é elemento-chave da inveja. “Se ela é baixa, o indivíduo pode entender que não tem as ferramentas, habilidades, dotes e oportunidades que o levem a conquistar os sonhos e desejos mais comuns de sua sociedade. Ter um videogame, comprar uma bicicleta, o carro do ano, namorar, casar, adquirir casa própria, ter filhos, absolutamente tudo pode ser alvo da inveja. Se uma mulher entende que sua felicidade depende de um bebê, e não consegue engravidar, pode invejar a outra, que conseguiu”, diz.
A inveja, de acordo com Alexandre Caprio, chega a ser parecido com um jogo, onde as pessoas se comportam como se estivessem ganhando ou perdendo pontos, à medida que avaliam sua posição em relação aos demais. “Não se escolhe sentir inveja. Se ela desperta, está relacionada à forma como nos enxergamos e como enxergamos os outros. A grama sempre parece mais verde no lado do vizinho - já dizia o ditado.”

www.sxc.hu/Divulgação
Sentimento de inveja está relacionado à forma inadequada de como nos enxergamos ou olhamos para o outro
Por que sentimos inveja?

A inveja é fruto de um sentimento de inferioridade, construído no decorrer da história de vida desde a infância. A estrutura do invejoso leva a uma dolorosa e  constante comparação com o outro. “Trata-se de uma estrutura inconsciente difícil de ser elaborada”, afirma a psicóloga clínica e organizacional Kátia Ricardi de Abreu. Nas etapas iniciais do desenvolvimento humano (primeiros seis meses de vida), a pessoa tem necessidade de dependência (da mãe). Uma vez vivenciada adequadamente esta fase, o psiquismo passa para a fase seguinte, que é o reconhecimento do outro (mãe) como alguém separado de si.

Após, de acordo com a psicóloga, aparecem sentimentos ambivalentes de amor e ódio na relação com o outro (ainda a mãe) diante da perda do controle onipotente sobre o outro, experimentado na fase de dependência absoluta (primeiros seis meses). “O ódio poderá ser substituído  pelo amor apenas quando o bebê experimentou o amor incondicional da mãe, dando-lhe segurança de sua existência e da consistência de seu eu. Esta certeza de ser amado faz com que a pessoa não tenha necessidade de ‘atacar’ o outro e os objetos que o representam”, revela Kátia.

Mas quando esta relação mãe-filho não foi saudável nesta fase de desenvolvimento, a pessoa tem a sensação de que nada lhe pertence, o mundo lhe é insuficiente e inadequado. “Adequado é o objeto que o outro possui. Tudo o que o outro tem é melhor, mais fácil, mais bonito, mais tudo. Nada do que ele tem o satisfaz e tudo o que ele tem parece menos e menor. Esta estrutura psíquica dolorosa e incômoda torna o invejoso uma pessoa de difícil convivência social. O ódio inconsciente aguçado leva o invejoso a atacar constantemente o outro. E sua postura é crítica e cheia de agressividade”, afirma a psicóloga.

domingo, 27 de janeiro de 2013

REVISTA BEM ESTAR "FÉ NA VIDA", de 27/01/13

Participação de Alexandre Caprio no artigo "Amor ou Amizade", páginas 10 e 11, Revista Bem Estar, Jornal Diário da Região (São José do Rio Preto/SP), Gisele Bortoleto, publicada em 27/01/2013.

domingo, 20 de janeiro de 2013

A FELICIDADE NO RELACIONAMENTO DEPENDE DE VOCÊ

Participação de Alexandre Caprio em matéria publicada pelo Jornal Diário da Região, São José do Rio Preto/SP, jornalista Jéssica Reis, edição de 20/01/2013.
Fonte:http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Divirtase/Comportamento/123342,,A+felicidade+no+relacionamento+depende+de+voce.aspx


Comportamento
› Expectativas na medida
São José do Rio Preto, 20 de Janeiro, 2013 - 1:33
A felicidade no relacionamento depende de você

Jéssica Reis

ww.sxc.hu/Divulgação
Capacidade de reconhecer ideias agradáveis e sentir prazer no presente, independentemente de outras pessoas, posses ou condições físicas é a chave do sucesso
A verdadeira felicidade em um relacionamento depende de si mesmo, ou seja, o parceiro pode até completar no outro esse sentimento, mas não depender dele para ser feliz. Essa é uma regrinha que poderia facilitar uma relação amorosa, em que muitas vezes o casal cria um excesso de expectativa e insiste em responsabilizar o parceiro pela sua felicidade. É por isso que especialistas alertam que um relacionamento pode dar certo quando há, além de amor e desejo, individualidade.

Segundo a psicóloga Mara Lúcia Madureira, a felicidade é a capacidade de reconhecer ideias agradáveis e sentir prazer no presente, independentemente de outras pessoas, posses ou condições físicas. “A maioria das pessoas não consegue ser feliz porque não compreende a simplicidade do conceito e projeta a felicidade em outras pessoas, em tempos que não são o presente e em condições distintas da atual.”

A especialista afirma que as causas de estresse ou fracasso das relações têm mais a ver com expectativas irrealistas, não correspondência de expectativas básicas, cobranças desmedidas, medos irracionais, ciúme patológico, consumo excessivo de álcool ou outras drogas, falta de planejamento familiar e financeiro, interferência abusiva de familiares, discordância quanto à educação dos filhos, imaturidade emocional e problemas financeiros, do que com o formato da relação.

Ela lembra que pessoas adultas devem pensar em outras pessoas como desconhecidos que podem surpreender de modo positivo ou negativo. “Não é possível saber sobre a personalidade de uma pessoa em alguns encontros. O problema é imaginar a outra pessoa segundo os desejos e fantasias e não com base em evidências. Nesses casos, as chances de frustrações são grandes, porém, muitos ainda insistem em agir desse modo por motivos óbvios e inconsistentes, aumento das ilusões ou esperanças, presunção de adivinhações e impaciência”, afirma.

O psicólogo cognitivo comportamental Alexandre Caprio conta que sempre pergunta aos pacientes o que eles esperam de uma relação. E as respostas, geralmente, se resumem a uma lista de coisas que esperam que o outro faça por elas. “Raramente alguém diz o que gostaria de fazer pelo outro. Estamos procurando pessoas para atender nossas necessidades, e necessidade não é amor.

Amor é quando você gosta tanto de alguém que aceita se afastar se perceber que isso fará bem para essa pessoa. Posse é depender do outro para se sentir completo. Se você depende de outra pessoa para se sentir inteiro, não tratará o outro como um indivíduo, com sua própria identidade, mas como um acessório seu.” Ele afirma que atualmente as pessoas estão aprendendo que para ser é preciso ter. “Se o problema é carência afetiva, essa aprendizagem torna evidente que a solução também está no outro.

Nós estamos tratando as pessoas como se fossem produtos ou prestadores de serviços. Estamos deturpando o conceito de amor e transformando-o em um bem de consumo. Quando você não precisar ou depender mais do outro para ser alguém, poderá ter uma pessoa para compartilhar a sua vida e conhecer esse tal amor que tantos falam e poucos veem.”

‘Parceiro não é remédio’, diz Caprio 

Atualmente, é comum que as pessoas se queixem da insatisfação na relação, em especial no casamento. No início do século 20, o divórcio era criticado pela sociedade. Hoje, as pessoas casam-se, divorciam-se e casam-se novamente. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que em 2011 houve um aumento de 45,6% nos processos de divórcio ocorridos no Brasil.

Segundo a psicóloga Mara Lúcia Madureira, os casamentos contemporâneos são diferentes dos conhecidos pelas gerações anteriores. “As mudanças sócio-culturais transformaram o casamento em relações dinâmicas, sem predomínio hierárquico ou sexista, rigidez de valores ou regras hipócritas de comportamentos”, explica.

Para Alexandre Caprio os casamentos existem por meio da união de duas pessoas e eles são os verdadeiros responsáveis pelo seu fracasso. “O casamento não mudou, nós é que mudamos nosso conceito de relacionamento. Estamos olhando de forma errada para a situação. O casamento não está em declínio. Os relacionamentos é que estão, e isso, claro, abrange o matrimônio.”

Em alguns casos, é comum que as pessoas vejam no casamento um “remédio para tudo”, ou seja, uma oportunidade de morar fora da casa dos pais ou se livrar da solidão. Para Mara Lúcia a perspectiva de casamento como fuga da solidão e dos problemas familiares ainda é muito contemplada por jovens e adultos de todos os gêneros sexuais, que têm expectativas menos românticas e mais esperançosas sobre as chances de felicidade longe dos conflitos familiares e ao lado de um cônjuge.

Alexandre ressalta que parceiro não é remédio. “Não podemos usar as pessoas para tratar de transtornos de ansiedade, para nos sentirmos aceitos socialmente ou como mera válvula de escape sexual.”Para Mara Lúcia, o casamento deve ser encarado com uma sociedade, na qual o pensamento básico é o de que, se duas pessoas se associam por interesses comuns, além de preservarem sua individualidade, passarão a pensar e trabalhar para o bem comum, não mais cada um para si.

Já o relacionamento sério, ou namoro, deve ser visto como o compromisso de estar com alguém, considerando a possibilidade de evolução para um casamento ou não. “É o tempo necessário para conhecer outra pessoa antes de decidir viver junto e, depois de decidido, para planejar e viabilizar as condições do casal.”Independente do tipo de relacionamento, segundo a psicóloga, é fundamental, além do amor, o respeito recíproco e a responsabilidade no planejamento financeiro e na manutenção das qualidades relacional e habitacional. 

domingo, 13 de janeiro de 2013

REVISTA BEM ESTAR "A VIDA DO FAZ DE CONTA", de 13/01/2013

Participação de Alexandre Caprio no artigo "Ilusão virtual", páginas 4 e 5, Revista Bem Estar, Jornal Diário da Região (São José do Rio Preto/SP), Gisele Bortoleto, publicada em 13/01/2013.



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

COMO UMA ORIENTAÇÃO PODE MUDAR NOSSA VIDA?

Participação de Alexandre Caprio em matéria publicada pelo Jornal Diário da Região, São José do Rio Preto/SP, jornalista Francine Moreno, edição de 08/01/2013.
Fonte: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Divirtase/Comportamento/122279,,Como+uma+orientacao+pode+mudar+nossa+vida.aspx




Comportamento
› Me dê um conselho
São José do Rio Preto, 8 de Janeiro, 2013 - 1:45
Como uma orientação pode mudar nossa vida?

Francine Moreno

Divulgação
Para psicoterapeuta, mais do que orientar, conselhos têm a função de acolher, e devem vir de quem sente afeto por nós
Por um ano e meio, o designer Daniel Motta resolveu compilar conselhos. Ele colocou uma urna em mais de 30 pontos estratégicos de São Paulo, com papel e caneta. Nela, fez um pedido simples: “Me dê um conselho”. Em junho de 2012, o designer lançou em livro uma compilação com alguns desses conselhos. A obra “Me Dê um Conselho” “ (Editora Altamira, 256 páginas, R$ 50) traz sugestões como “Voe de avião e pule de paraquedas” ou “Ria de Si Mesmo”.

Paralelo ao lançamento do livro, Motta criou um site (www.medeumconselho.com.br), onde homens e mulheres em busca de orientação podem ler as dicas, comprar o livro e ter acesso a links como contato e página oficial no Facebook. Na página www.facebook.com/MeDeUmConselho, o escritor e designer divulga imagens originais dos conselhos.

A iniciativa proposta inusitada do designer paulistano chama atenção e sugere uma reflexão. Até que ponto um conselho é válido? Ele pode mesmo mudar uma história? Por que as pessoas gostam tanto de aconselhar?
Segundo o dicionário, conselho é parecer, juízo, opinião, assim como advertência que se emite; admoestação, aviso ou senso do que convém; tino, prudência e aviso.

Profissionais da psicologia, no entanto, afirmam que conselhos são experiências vividas ou aprendidas que podem ser transmitidas de uma pessoa para outra. Cada conselho contém uma visão de mundo própria do indivíduo que o transmite. Esses conceitos podem ou não ser verdadeiros ou aplicáveis a outro indivíduo. “Muitas vezes, eles podem ser produtivos, outras, engraçados e baseados em crendices”, afirma o psicólogo Alexandre Caprio.

Armando Ribeiro das Neves Neto, psicólogo e coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que um conselho não é neutro, mas é resultado das experiências de vida, opiniões e informações disponíveis para quem o dá. “Quando buscamos um conselho, é fundamental lembrar que o emissor se confunde com o próprio conselho, portanto, poderá ser positivo ou negativo em relação aos resultados e expectativas do solicitante”, diz.

No entanto, quando um conselho é válido, ele pode abrir os olhos, incentivar. “Um bom conselho não dá respostas diretas, mas cria uma atmosfera ideal para que o solicitante possa tirar suas próprias conclusões e se responsabilizar pelos próprios atos. Um bom conselho pode ser um colírio para os olhos indecisos e incentivar a mudança de perspectiva”, afirma Neves Neto.

Conselhos vindos de pais, avós ou amigos experientes podem fazer a diferença diante de uma situação difícil. “O conselho bem intencionado pode mover montanhas, mas é preciso ter cuidado para não sermos guiados a tirar conclusões equivocadas e nos esquivarmos das responsabilidades pelas decisões. Às vezes, pais e amigos são ótimos conselheiros, mas podem ter uma opinião tendenciosa sobre o problema, e o pior, podem gerar tensão, pois criam expectativas sobre a ação”, revela Neto.

Renato Dias Martino, psicoterapeuta e escritor, de Rio Preto, afirma que, seja de quem for, mais importante que aconselhar é acolher. “Muitas vezes, o que acontece é que pessoas supostamente mais experientes acabam indicando certo caminho que dificilmente estará de acordo com a realidade daquele que vive a experiência, isso por não serem capazes de tolerar o processo de erros e acertos que é inerente ao aprender com a experiência.”

Cuidado com as ‘alfinetadas’

O psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto faz um alerta. “Cuidado com o erro comum de achar que se o conselho dói é porque tem razão. Nem todo remédio precisa ser amargo para curar uma ferida. Uma alfinetada não é uma boa estratégia para aconselhar alguém, pois pode gerar culpa, ressentimento ou mesmo evitação do problema. Lembre-se que o seu conselheiro não é dono da razão, e que ninguém sabe mais da sua vida do que você mesmo. Às vezes, uma alfinetada é um pequeno empurrão para sair da inércia, mas além de doer não significa que a pessoa estava certa”, diz.

Renato Dias Martino, psicoterapeuta e escritor, afirma que a verdade só é útil quando muito bem irrigada de afeto, de outra maneira se transforma em crueldade, e não pode existir aprendizado sob hostilidade. “Quando não é possível a continuidade do vínculo, o conselho se desfaz ou, ainda, vira uma regra fria e sem conteúdo. Dessa forma, não há como reverter a favor”, diz.

O psicólogo Alexandre Caprio afirma que quando alguém nos aconselha a fazer algo certo, no fundo, já sabemos que estamos fazendo do jeito errado. “Desta forma, o conselho é entendido como crítica ou até ofensa. Em vez de acolhermos aquilo de forma produtiva, repudiamos e afastamos as pessoas que procuraram nos ajudar. Sempre que alguém nos aponta uma falha que já sabemos que temos sentimos uma pontadinha dentro de nós.”

Responsável pelas próprias escolhas

Também é necessário ignorar alguns conselhos, principalmente quando se deposita a autonomia e a responsabilidade na fonte do conselho. “Opiniões são dados importantes para se tomar uma boa decisão, mas cada um deve ser responsável por suas escolhas. Às vezes, pessoas muito inseguras se tornam dependentes de conselhos para viver, e essa é uma forma prejudicial de se conduzir a própria vida”, afirma Armando Ribeiro das Neves Neto, psicólogo e coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Renato Dias Martino, psicoterapeuta e escritor, afirma que é preciso não ouvir o conselho quando ele vier de alguém que não nos dedica afeto e, assim, não é capaz de oferecer um olhar de acolhimento. “O aconselhamento sem afeto é vazio. Além do mais, muito provavelmente esse suposto conselheiro deve estar mantendo certa intenção oculta, quando propõe essa ação ausente de carinho. Quer seja livrar-se de alguma frustração ou mesmo sentir-se superior.”

Também existe hora certa para aconselhar. Um momento ideal é quando o outro pede a dica. “Não devemos invadir a individualidade e o processo de tomada de decisões de cada um sem sermos solicitados. Quando nos pedem opiniões, é preciso refletir se temos experiência sobre a situação ou se estamos emitindo uma opinião rasa e superficial, que poderá confundir em clarear a situação”, afirma Neves Neto.

domingo, 9 de dezembro de 2012

MENTIRA ALIMENTA SENTIMENTOS NEGATIVOS GERANDO TENSÃO EMOCIONAL

Participação de Alexandre Caprio em matéria publicada pelo Jornal Diário da Região, São José do Rio Preto/SP, jornalista Jéssica Reis, edição de 09/12/2012.
Fonte: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Divirtase/Comportamento/119982,,Mentira+alimenta+sentimentos+negativos+gerando+tensao+emocional.aspx


Comportamento
› Mentir faz mal à saúde
São José do Rio Preto, 9 de Dezembro, 2012 - 1:45
Mentira alimenta sentimentos negativos gerando tensão emocional

Jéssica Reis

Lézio Jr.
Viveruma mentira é ficar aprisionado à vergonha de não ter solucionado umproblema de forma assertiva e autêntica
A mentira é um tema sempre atual, afinal, quem é que nunca contou uma mentirinha, mesmo que fosse de brincadeira? A novidade agora é que uma pesquisa comprovou que mentir faz mal à saúde. O estudo, realizado na Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos, constatou que dizer a verdade pode evitar dores e até coceiras.

Os pesquisadores questionaram semanalmente 110 voluntários sobre os incômodos físicos que sentiam e quantas vezes contaram algum tipo de mentira durante o dia. Nos encontros, pediam para metade dos participantes não contar mentiras. O grupo que passou a dizer mais a verdade reclamou menos de dores e coceiras.

A psicóloga Maria Aparecida Junqueira Zampieri diz que mentir não é natural e consome mais energia das pessoas, além de manter, mesmo que no inconsciente, pensamentos negativos sobre si mesmo. Segundo a especialista, o mentiroso frequente reforça pensamentos no dia a dia e com isso uma autoimagem que pode se tornar mais negativa.

Para Armando Ribeiro, psicólogo e coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, a mentira implica em uma constante tensão mental para sustentar a história e impedir o descobrimento. “A tensão emocional gerada pela mentira pode aumentar os níveis de hormônios do estresse capazes de fragilizar o sistema imunológico e desequilibrar o corpo e a mente. A mentira tem perna curta, mas pesa uma tonelada”, garante.

Ainda segundo o psicólogo, a mente subconsciente fica ocupada em sustentar a mentira, por isso o mentiroso fica preso nas histórias do passado, não vive o presente e nem o futuro. “Viver uma mentira é ficar aprisionado à vergonha de não ter solucionado um problema de forma assertiva e autêntica.”

Alexandre Caprio, psicólogo cognitivo-comportamental, afirma que o resultado físico de quem mente pode envolver inquietude, irritação e ansiedade, tensões musculares e perda de sono, dores físicas e esgotamento. As pessoas aprendem a mentir, e isso pode acontecer quando ainda são crianças. Ribeiro explica que os pais são os primeiros modelos de como as crianças lidarão com os erros na vida, portanto, os pais devem estar conscientes de que até as pequenas mentiras podem influenciar os filhos na vida adulta.

“A falta de habilidades sociais e de bons modelos podem influenciar negativamente algumas pessoas”, diz.É importante ficar atento quando as crianças mentem. Para Caprio, crianças e adultos mentem de acordo com os benefícios obtidos com esse comportamento. “Se o responsável sabe que a criança conseguiu ser beneficiada por meio de uma mentira, deve evitar que esse ganho continue acontecendo, sob o risco de ensinar que mentir compensa”, explica.

No entanto, o especialista lembra que não adianta repreender o filho quando o comportamento dos pais não é condizente com o discurso que se faz. “A postura e os valores demonstrados nas relações pessoais são aspectos cruciais para o desenvolvimento moral e ético dos filhos”, complementa.

Verdade promove ‘libertação emocional’

Uma das passagens da bíblia diz: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8,32), lembra Armando Ribeiro. Ele diz que outros textos sagrados e sabedorias antigas sustentam o valor da verdade para a libertação emocional e psicológica. “A psicologia atual vem pesquisando o valor dos conhecimentos tradicionais sobre o psiquismo humano. É sabido desde a década de 1980 sobre o “efeito da confissão pelo polígrafo”, ou seja, mesmo com graves consequências, falar a verdade pode reduzir a ansiedade e o estresse fisiológico”, afirma.

Para Tina Zampieri, dizer a verdade pode favorecer relações mais satisfatórias, mais leves. Ela diz que o interlocutor terá melhor chance de acertar com quem consegue ser mais verdadeiro. Mas é importante lembrar que ser verdadeiro não é sinônimo de ser rude. “As pessoas mais assertivas conseguem dizer a verdade sem ferir. O foco está mais próximo do informar, conhecer, reconhecer, e as respostas serão mais compatíveis com o que de fato se queria comunicar.

Isso traz mais satisfação e, a longo prazo, relações mais realistas. Se for possível dizer o que de fato se quer atingir, as ações poderão ser mais objetivadas e os resultados mais próximos do que se quer”, complementa. O psicólogo Alexandre Caprio diz que dizer a verdade, assim como ser fiel aos próprios princípios de certo e errado, induz a uma melhoria e enriquecimento da individualidade. “Enquanto para uns admitir uma falha pode parecer um atestado de inferioridade ou incompetência, para outros nada mais é do que um reconhecimento das próprias limitações, justamente para poder superá-las”, afirma.

Em alguns casos, o problema da mentira pode precisar de tratamento. Caprio explica que na terapia são avaliados os ganhos e as perdas de mentir e falar a verdade, as dificuldades internas e aceitação das próprias falhas. “Esse processo pode resultar em uma grande mudança na forma de encarar a si mesmo e quem está ao seu redor. Aprender a desenvolver empatia e assertividade. Essas estratégias oferecem ao paciente um conjunto de novas habilidades que o farão caminhar em direção ao autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, profissional e afetivo.”

Necessidade de aceitação

O psicólogo Armando Ribeiro define que a mentira não é simplesmente o contrário da verdade. “Mentir é uma ação que visa a distanciar um erro, minimizando as consequências de culpa, angústia, entre outras”, explica.
Para a psicóloga Tina Zampieri, a mentira é a resposta enganosa, que tenta agradar desviando ou omitindo o que poderia ser desagradável, fora das expectativas, ou do que se acredita que o outro gostaria de ouvir. Ou ainda para evitar o enfrentamento de consequências que não se pretende enfrentar, seja por acreditar que não daria conta, ou porque não se quer enfrentar.

A especialista diz que muitas vezes a mentira vem mesmo desta necessidade básica de aceitação, de pertencimento. “É mentir para ajustar-se ao esperado para pertencer ao grupo em questão. Para evitar situações vergonhosas ou embaraçosas”, exemplifica. Uma das características de um mentiroso é que ele tem visão de curto prazo sobre como lidar com os problemas, segundo Ribeiro. Além disso, evitar a verdade é uma possibilidade de não enfrentar as crises ou de afastá-las.

“O grande problema é que o próprio mentiroso não consegue mentir para si mesmo. A consciência pesada, aquela velha “conversa” com o travesseiro, são algumas das consequências de se carregar o fardo da mentira”, alerta.
Tina lembra que a pessoa que mente compulsivamente pode não conhece seus potenciais, ser insegura e tender ao cinismo, o que pode ser visto como um ego interior supostamente mais forte que o eu real. “No fundo, pode esconder o medo de enfrentar, de se expor, de opinar, defender ideias que não encontram eco no grupo a que almeja pertencer.” 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

JORNAL DIÁRIO DA REGIÃO - Coluna Nenê Homsi

Divulgação de palestra ministrada por Alexandre Caprio no Club do Livro, Empório Cultural, dia 28/11/12, na coluna de Nenê Homsi, Jornal Diário da Região de 28/11/12.